
Você cuida da pele, do cabelo, da rotina. Neste Outubro Rosa, o convite é cuidar do que nenhum produto resolve: a atenção ao seu próprio corpo.
Os números ajudam a entender por que essa atenção importa. O INCA estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, no triênio 2026–2028, cerca de 5 mil a mais por ano do que na estimativa anterior. De acordo com dados oficiais de saúde, o risco de desenvolver a doença ao longo da vida é de 1 em cada 10 mulheres. Imagine em uma roda de dez amigas: pelas estatísticas, uma delas pode receber esse diagnóstico ao longo da vida.

Descobrir cedo faz toda a diferença
Segundo especialistas, quando o câncer de mama é detectado precocemente, em tumores de até 2 cm, as chances de cura ultrapassam 90% e podem chegar a 95%, e o tratamento costuma ser menos invasivo. Mais do que falar sobre a doença, o objetivo da campanha é reforçar a importância de olhar para si com atenção e manter seus exames preventivos em dia.
Ser jovem não significa estar fora de risco
Especialistas observam aumento de casos também entre mulheres mais jovens, e as causas ainda estão sendo estudadas. Segundo o INCA, apenas de 5% a 10% dos casos estão ligados a alterações genéticas herdadas. Ter ou não histórico na família não define quem deve se cuidar.
O corpo também conversa
Prestar atenção nos sinais do seu próprio corpo ajuda a notar quando algo muda. Isso não é um exame e não substitui nenhum: é familiaridade com o seu corpo, para que você perceba uma mudança e procure ajuda sem demora. São três gestos, e levam poucos minutos. Aproveite um momento que já faz parte da sua rotina, como a hidratação corporal após o banho, a hora de se vestir em frente ao espelho ou a pausa antes de dormir.
Observe. Diante do espelho, com os braços relaxados e depois levantados, veja formato, tamanho e pele.
Toque. Percorra toda a mama, acima e abaixo, com movimentos circulares. Inclua a região das axilas e repita dos dois lados.
Perceba mudanças. Uma mudança merece atenção. Fique atenta a nódulos, áreas endurecidas, alterações na pele ou no mamilo, secreção e dor que não passa. Na dúvida, não espere.

Consulta também é autocuidado
Observar o seu corpo mostra o que mudou no seu dia a dia, mas nem sempre é o suficiente. Tumores em fase inicial muitas vezes não são sentidos ao toque e só aparecem em exames de imagem. É por isso que a consulta e os exames existem: para olhar o que as mãos não alcançam.
Na consulta, o profissional pode examinar as suas mamas, avaliar o seu histórico e indicar os exames que fazem sentido para você. Segundo especialistas, a mamografia pode começar a partir dos 40 anos. Contudo, é na conversa com o médico que se define o momento que faz sentido para você. Se existem casos de câncer de mama ou de ovário na sua família, conte: isso pode mudar com que frequência e como o seu acompanhamento deve acontecer.
Outubro é só o lembrete. Coloque você na sua agenda também.
Fontes: INCA, Ministério da Saúde, SBOC, Femama e Sociedade Brasileira de Mastologia.